Centro histórico de Paraty

Se você me perguntar rapidamente: Paraty te lembra o quê? Eu te respondo: ruas com pedras irregulares, igrejas, cemitério dentro de igreja, muito ouro (Inshallah) e pinga!!! E não é que eu tô certa? Aêêê. Nessa viagem que fizemos a Paraty, foi possível conhecer um pouco mais da história dessa cidade litorânea do Rio de Janeiro.

As ruas com pedras irregulares, conhecida como Pé de Moleque, é a marca do centro histórico. Mas requer um pouco de atenção! Muito fácil escorregar e até mesmo tropeçar. Caso seja um distraído da vida… vai pra casa sem o tampo do dedo. Mais atenção ainda, se começar a chuviscar… aí meu amigo, vira um sabão!

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Histórias é o que não faltam de onde surgiu a expressão “Pé de Moleque”. Uns dizem que o estilo de rua se chama assim por causa do doce. Já o doce ganhou esse nome pq um menino pegava os doces da vizinha sem pedir e ela dizia: Pede moleque = pé de moleque. Enfim……

Curiosa que sou, fucei fucei até que achei algo plausível.  Segundo o Mapa da Cultura do Rio de Janeiro, “as pedras irregulares no calçamento fazem parte do cenário de Paraty desde o século 18. Conhecido como pé-de-moleque, o calçamento com as pedras foi feito para evitar que as tropas de mulas, carregadas de preciosidades, como ouro ou café, não atolassem nos dias de chuva e levantassem nuvens de poeira nos dias de sol.” Mas lá no fundo ainda acho que tbm servia pra arrancar os tampos dos dedos dos escravos… (minha opinião).

O Mapa da Cultura ainda completa dizendo que “embora não haja registros, muitos afirmam que as pedras da calçada foram trazidas de Portugal, como lastro nas embarcações. Essas pedras portuguesas eram desembarcadas em Paraty e, no seu lugar, embarcavam ouro ou café”.

O acesso a grande parte do centro histórico, é protegido por correntes bem grossas. Desse modo, é proibida a passagem de carros. O jeito é se virar para estacionar o carro e ir caminhando tranquilamente pelas ruas.

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Um fator muiiito interessante e que até me assustou um pouquinho, foi o alagamento que ocorre em algumas ruas. Estacionamos o carro próximo a igreja matriz e fomos caminhar pelo centro. Mais tarde, quando voltamos para o carro, nos deparamos com a rua toooda alagada. A jacú aqui saiu pulando e se pendurando nas coisas pra não encostar naquela água, arriscando perder os tampos dos dedos. Coitada de mim, achei que era esgoto, mas não… era água do mar mesmo kkkkkk.

Pq alaga assim? Pergunta essa que foi respondia na nossa visita a Mini Estrada Real. Lá nós foi dito que a cidade foi projetada pra alagar mesmo! Para todo final de tarde, quando a maré subisse, ela era encarregada de fazer a limpeza das ruas, levando consigo tooodas as necessidades fisiológicas dos habitantes e dos animais que por ali passavam!

É evidente a influência portuguesa em Paraty, mas tbm.. como ser diferente? Afinal a cidade faz parte da Estrada Real, sendo o caminho do ouro por muitos anos. Paraty faz parte do caminho velho… Ou seja, faz parte do primeiro caminho criado pelos Portugueses, ligando Ouro Preto a Paraty. Uma curiosidade: O trajeto demorava 60 dias para ser realizado pelos tropeiros que trabalhavam para a corte.

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Apresento-lhes o Brasão das Armas. O ano de 1677 gravado na placa, refere-se a data que Paraty foi elevada à Vila. Já o ano de 1844, quando foi elevada à Cidade.

Já outra coisa não muito evidente, é a influência maçom na cidade. As cores azul e branco, ruas tortas, cunhais de pedras nas esquinas  e diversos símbolos é a confirmação da presença da maçonaria na cidade! Isso faz de Paraty é uma cidade cheia de histórias e mistérios. Para quem adora isso, é um prato cheio.

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Símbolos nas paredes externas e cunhais de pedra na esquina. Foto: thinkstock (cvc)

Sem contar que a pequena cidade é cercada pela mata atlântica. É tudo muito verde, tudo com muita vida!

Paraty já foi sinônimo de pinga boa! Não que hoje não seja mais… não é isso. Mas é que lá em meados 1700, a cidade teve mais de 100 alambiques. Foi aí que ela ganhou fama por produzir boas cachaças. Infelizmente, atualmente a cidade conta com apenas 7 alambiques (Corisco, Coqueiro,  Engenho D’Ouro, Maré Cheia, Maria Izabel, Paratiana e Labareda, Pedra Branca). Nós fomos na Pedra Branca.

As igrejas são as cerejas de Paraty (na minha opinião). Você está andando e do nada, uma obra grandiosa aparece! A cidade conta com quatro igrejas. São elas:

Igreja de Nossa Senhora dos Remédios

É a primeira igreja de Paraty e fica localizada na praça central da cidade (Praça da Matriz).

Primeiramente ela foi erguida como capela em devoção a São Roque. Mas, 1676, houve uma doação para que construísse uma outra capela.. agora em devoção a nossa senhora dos remédios. Essa capela foi demolida em 1668 e construída outra bem maior e de pedra e cal. Demorou anos para ser finalizada (só em 1873).

Aberta de segunda a sexta das 09:00h às 12:00h e das 13:00h às 17:30h e nos sábados das 08:30h às 12:00h e das 13:00h às 16:00h (entrada R$ 2,00).

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Igreja de Nossa Senhora das Dores

Foi construída em 1800 por mulheres da aristocracia.  Ela é conhecida como “capelinha”.

Fica localizada na baía de Paraty.

Aberta sábado, domingo e feriados das 13:30h às 18:00h.

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Foto: thinkstock (cvc)

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito

Essa igreja fica na parte mais central da cidade, na rua do comércio. Teve início em 1725, sendo construída e destinada para os escravos.

Aberta de quarta a sexta das 09:00h às 12:00h e das 13:00h às 17:00h.

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foto: www.aventure-se.com

Igreja da Santa Rita

Situada no cais de Paraty, foi edificada por pardos libertos em 1722. É a igreja mais antiga da cidade, em razão das demolições ocorridas com as capelas da antiga matriz (nossa senhora dos remédios).

Uma curiosidade: anexado ao lado esquerdo da igreja, onde tem essa pequena construção, funcionava um cemitério. Quem fazia parte da irmandade, “ganhava” o direito de ser enterrado lá.

Não posso esquecer de um detalhe super importante: Ela é o cartão postal da cidade! Linda, né?!

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Nessa igreja funciona o museu de arte sacra.

Aberto de terça a domingo das 09:00h às 12:00h e das 14:00h às 17:00h. Entrada franca às terças-feiras e demais dias R$ 4,00

 

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Overdose da Igreja Santa Rita pra vocês..

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Chafariz do Pedreira

Confesso que não procuramos por esse chafariz!!! Sabia que ele existia mas não lembrava onde. Estava lá eu, andando na pracinha… na captura por um dogão (cachorro quente) pra comer… quando me deparo com um negócio branco no meio da praça. Curiosa que sou, fui ler o que era e… Acheeei o chafariz!!!

Ele é todo em mármore branco e tinha a missão de: abastecer a cidade. Mas, também era ponto de encontro de lavadeira e saciava a sede dos animais.

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Veja, abaixo, o mapa do centro histórico da cidade. É muito fácil de localizar e se locomover.

Vale ressaltar que o Centro histórico de Paraty, é Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN e considerado pela UNESCO como o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso. Nada mais justo, né?!

A cidade é incrível, muito acolhedora, enfim… tudo muito receptivo. O comércio é bem farto e com preços atraentes. Vale a pena dar uma boa andada pelas lojas, com certeza encontrará o mesmo souvenir com preço diferente. Sem contar nos carrinhos de doces esparramados ao longo do centro (salivando aqui). Custa R$5,00 a porção de qualquer doce!

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Saudades desse lugar! 😀

Quem tiver oportunidade, vale a pena conhecer. Seja a cidade avulsa ou percorrendo o caminho da Estrada Real. Visitar Paraty, despertou ainda mais a minha vontade de conhecer as outras cidades históricas que temos aqui pelo Brasil.

One comment to Centro histórico de Paraty

  • vileite

    Paraty é realmente acolhedora, encantadora e e poética .

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